O esôfago é um tubo muscular com cerca de 25 cm de comprimento que conecta a garganta ao estômago, transportando o alimento da boca para o sistema digestivo. O estômago, localizado no abdome superior esquerdo, recebe o alimento, inicia sua digestão por meio de ácidos e enzimas e o encaminha ao intestino delgado em porções controladas.
Apesar de serem órgãos distintos, os tumores que os acometem compartilham características importantes: tendem a se manifestar tardiamente — quando já causam dificuldade para engolir, perda de peso ou desconforto abdominal persistente —, exigem cirurgias de grande porte e requerem planejamento multidisciplinar cuidadoso, integrando cirurgia, oncologia clínica e radioterapia.

O câncer de esôfago apresenta dois tipos principais: o carcinoma epidermoide, mais comum no terço médio do esôfago e frequentemente associado ao tabagismo e ao consumo de álcool, e o adenocarcinoma, predominante no terço inferior e relacionado ao refluxo gastroesofágico crônico e ao esôfago de Barrett. A cirurgia — a esofagectomia — é o tratamento central nos casos ressecáveis e consiste na remoção total ou parcial do esôfago, com reconstrução do trânsito digestivo utilizando o estômago ou, em casos selecionados, o intestino.
O câncer gástrico é um dos tumores do aparelho digestivo de maior incidência no Brasil. Manifesta-se frequentemente de forma silenciosa nas fases iniciais, o que explica o diagnóstico tardio em muitos casos. O tratamento cirúrgico — gastrectomia total ou parcial — consiste na remoção do estômago acometido, com dissecção dos linfonodos regionais. Em tumores localmente avançados, a cirurgia é precedida por quimioterapia, com o objetivo de reduzir o tumor antes da operação.

A esofagectomia é uma das cirurgias de maior complexidade do aparelho digestivo. Envolve a mobilização do esôfago no tórax e no abdome, a remoção do órgão e a reconstrução do trânsito — geralmente com o estômago, que é elevado até o tórax ou o pescoço para ser conectado ao esôfago remanescente.
A gastrectomia, total ou parcial, envolve a remoção do estômago acometido e a reconstrução do trânsito digestivo. A extensão da ressecção depende da localização e do estágio do tumor.
Em ambas as cirurgias, a abordagem robótica é atualmente considerada o padrão ouro. A visão tridimensional ampliada, a precisão dos movimentos e a instrumentação articulada são vantagens determinantes em operações que exigem dissecção cuidadosa em espaços anatômicos restritos — o mediastino no caso do esôfago, e a região perigástrica com seus vasos e linfonodos no caso do estômago. Centros de referência em todo o mundo migraram progressivamente para essa abordagem como primeira escolha.
A esofagectomia figura entre as cirurgias com maior exigência técnica de toda a cirurgia abdominal e torácica. Opera-se simultaneamente em duas cavidades — tórax e abdome — e a reconstrução deve garantir uma conexão segura entre estruturas submetidas a tensão mecânica constante. As complicações pulmonares e a deiscência da anastomose — quando a junção cirúrgica não cicatriza adequadamente — são os principais riscos, e seu manejo exige estrutura hospitalar e equipe de alta complexidade.
A gastrectomia, embora tecnicamente menos exigente que a esofagectomia, é igualmente uma cirurgia de grande porte, com impacto nutricional significativo no pós-operatório. O acompanhamento multidisciplinar — com nutrição, oncologia e endoscopia — é parte indispensável do tratamento.
Em ambos os casos, a experiência acumulada da equipe cirúrgica tem impacto direto nos resultados. Não se trata de cirurgias para serem realizadas de forma ocasional.