As glândulas adrenais — também chamadas de suprarrenais — são duas pequenas estruturas localizadas sobre os rins, uma de cada lado, na parte posterior e superior do abdome. Apesar do tamanho reduzido, têm papel hormonal essencial: produzem adrenalina, cortisol e aldosterona, hormônios que regulam a resposta ao estresse, o metabolismo, a pressão arterial e o equilíbrio de sal e água no organismo.
Quando um tumor se desenvolve na glândula adrenal — seja ele benigno ou maligno, funcionante ou não —, esse equilíbrio pode ser perturbado de formas variadas, com consequências que vão além do crescimento local do tumor.

Os feocromocitomas são tumores originados na medula adrenal — a porção central da glândula — que produzem adrenalina e noradrenalina em excesso. Causam episódios de hipertensão grave, palpitações, sudorese intensa e cefaleia. São tumores predominantemente benignos, mas de comportamento imprevisível, e sua remoção cirúrgica exige preparo clínico rigoroso para evitar crises hipertensivas durante a operação.
Os adenomas adrenais são tumores benignos, frequentemente descobertos de forma incidental em exames de imagem realizados por outros motivos — os chamados incidentalomas. Nem todos exigem cirurgia, mas quando o tumor produz hormônios em excesso — como no síndrome de Cushing ou no hiperaldosteronismo primário — ou quando apresenta características de imagem sugestivas de malignidade, a ressecção está indicada.
O carcinoma adrenocortical é um tumor maligno raro, originado no córtex da glândula. Tende a ser diagnosticado em estágios avançados e frequentemente produz hormônios em excesso. A ressecção cirúrgica completa é o único tratamento com potencial curativo e deve ser realizada por cirurgião com experiência em tumores retroperitoneais de grande porte.
As metástases adrenais são relativamente frequentes — as glândulas adrenais são sítio comum de disseminação de tumores do pulmão, rim, mama e melanoma. Em pacientes selecionados, a ressecção de metástase adrenal isolada pode ter impacto favorável no curso da doença.

A adrenalectomia — remoção da glândula adrenal — pode ser realizada por via laparoscópica ou robótica na grande maioria dos casos. A abordagem minimamente invasiva é atualmente o padrão para tumores de tamanho moderado, oferecendo recuperação mais rápida e menor morbidade em relação à cirurgia aberta.
Tumores de grande porte, carcinomas adrenocorticais ou casos com envolvimento de estruturas adjacentes podem exigir cirurgia aberta, com maior extensão de ressecção. O planejamento pré-operatório — incluindo avaliação hormonal completa e exames de imagem detalhados — é indispensável para definir a abordagem mais adequada e preparar o paciente para a cirurgia com segurança.
No caso específico dos feocromocitomas, o preparo clínico pré-operatório com bloqueio adrenérgico é obrigatório e deve ser conduzido em conjunto com endocrinologia, para minimizar o risco de instabilidade cardiovascular durante a operação.
Embora a adrenalectomia laparoscópica seja tecnicamente menos complexa do que outras cirurgias abdominais de grande porte, os tumores adrenais apresentam desafios específicos que exigem experiência: a proximidade com grandes vasos — veia cava inferior à direita, veia renal e aorta à esquerda —, o manejo intraoperatório dos feocromocitomas e o tratamento cirúrgico dos carcinomas volumosos são situações que requerem um cirurgião familiarizado com a anatomia retroperitoneal e habituado a operar nesse espaço com segurança.