Tumores de Cólon e Reto

Câncer de cólon e reto: as quatro formas em que a doença se apresenta, e o que muda em cada uma

Câncer colorretal não é uma doença só. Sob o mesmo nome existem situações clínicas muito diferentes: o tumor restrito à parede do intestino, o tumor que invadiu órgãos vizinhos na pelve, o tumor que já enviou metástases para o fígado, e o tumor que se disseminou pela superfície do peritônio. A operação, a ordem do tratamento e o prognóstico mudam em cada uma delas.

Essa distinção importa por uma razão prática. Uma parcela dos pacientes muda de categoria durante o tratamento, às vezes durante a própria cirurgia, e é nesse momento que a composição da equipe e a estrutura do serviço deixam de ser detalhe. O restante desta página descreve as quatro apresentações, o que se decide em cada uma, e o que a literatura mostra sobre o peso da qualidade técnica da operação no resultado final.

Se você chegou aqui com um laudo na mão

Os documentos que costumam chegar primeiro são o laudo da colonoscopia e o resultado da biópsia. Se neles aparece a palavra adenocarcinoma, é o tipo mais comum de câncer colorretal, e é sobre ele que esta página trata.

Depois vêm as imagens, e com elas um vocabulário que assusta sem explicar. Alguns termos que aparecem com frequência:

T3, T4 descrevem o quanto o tumor avançou na espessura da parede intestinal. T3 significa que ultrapassou a camada muscular; T4 significa que atingiu a superfície externa ou invadiu uma estrutura vizinha.

N, ou linfonodos comprometidos, indica que células tumorais foram encontradas ou são suspeitas nos gânglios que drenam aquele segmento do intestino. É informação de estadiamento, não de inoperabilidade.

Margem radial ameaçada é um termo específico do reto. Significa que o tumor está próximo do limite externo do envelope de gordura que envolve o reto. Muda a estratégia, porque costuma indicar tratamento antes da cirurgia.

Lesão hepática indeterminada é uma imagem no fígado que não pôde ser caracterizada. Nem toda lesão hepática em um paciente com câncer de intestino é metástase, e a caracterização correta é parte da avaliação, não uma formalidade.

Implantes peritoneais, carcinomatose, espessamento do omento descrevem tumor sobre a membrana que reveste o abdome por dentro. É a apresentação tratada mais adiante nesta página e, com mais profundidade, na página sobre HIPEC.

Nenhum desses termos, isolado, define o que pode ou não ser feito. O que define é a combinação deles, somada ao estado clínico e à resposta ao tratamento.

Se o que você ouviu foi que é um caso simples, ou que não adianta operar

São duas frases opostas, e as duas merecem a mesma pergunta seguinte.

Quando um paciente ouve que o caso é simples, quase sempre é verdade: a maior parte dos tumores de cólon é ressecável, com boa chance de cura, e a operação é bem padronizada. O ponto que a frase esconde é que a classificação de simples é feita com a informação disponível naquele momento, e uma parte dos casos muda de categoria no intraoperatório. O que se planeja para essa hipótese, antes de entrar no centro cirúrgico, é uma decisão que vale a pena entender.

Quando um paciente ouve que não adianta operar, a frase pode significar coisas muito diferentes. Pode significar que o tumor é tecnicamente irressecável; pode significar que a equipe que avaliou não realiza aquele tipo de procedimento; pode significar que o momento está errado e que a cirurgia se torna possível depois de alguns ciclos de tratamento sistêmico; e pode significar, de fato, que operar não traria benefício.

Uma parte dos casos classificados como inoperáveis pode, após reavaliação por equipe especializada, ter indicação cirúrgica. A avaliação é individual e depende de critérios como extensão da doença, resposta ao tratamento sistêmico e condições clínicas. Isto não é promessa de operação. É a constatação de que a palavra inoperável carrega significados diferentes e merece ser desdobrada antes de ser aceita como definitiva.

As quatro apresentações

1. Doença localizada

O tumor está confinado à parede do intestino e aos linfonodos regionais. É a apresentação mais frequente e a de melhor prognóstico.

No cólon, o tratamento é a ressecção do segmento acometido junto com o seu território de drenagem linfática: colectomia direita, colectomia esquerda ou sigmoidectomia, conforme a localização. Na grande maioria dos casos a continuidade intestinal é restabelecida na mesma operação. A qualidade oncológica aqui se mede pela extensão da linfadenectomia e pela integridade dos planos de dissecção.

No reto, a mesma situação clínica é tecnicamente mais exigente, porque o reto ocupa um espaço estreito da pelve, em contato com a bexiga, os ureteres, os nervos responsáveis pela função urinária e sexual, e o aparelho esfincteriano. A operação padrão é a excisão total do mesorreto, que consiste em remover o reto dentro do seu envelope de gordura e linfonodos, intacto.

A qualidade dessa dissecção não é um detalhe técnico. No estudo prospectivo conduzido dentro dos ensaios MRC CR07 e NCIC-CTG CO16, com 1.156 pacientes, a recidiva local em três anos foi de 4% quando a peça foi retirada no plano mesorretal correto, 7% no plano intramesorretal e 13% quando a dissecção ocorreu no plano da muscular própria.[1] É o mesmo tumor, a mesma operação nominal, e um risco de recidiva três vezes maior conforme o plano alcançado.

2. Doença localmente avançada

O tumor ultrapassou os limites do órgão e invade estruturas vizinhas: bexiga, útero, ureter, parede pélvica, estruturas ósseas, ou alças intestinais adjacentes. É a apresentação que separa uma ressecção padrão de uma ressecção multivisceral planejada, na qual mais de um órgão é removido em bloco com o tumor.

Duas coisas mudam aqui. A primeira é que o tratamento raramente começa pela cirurgia: no reto localmente avançado, o tratamento neoadjuvante vem antes, com o objetivo de reduzir o tumor e aumentar a chance de uma ressecção completa. A segunda é que o planejamento cirúrgico deixa de ser uma operação de um compartimento e passa a exigir domínio de mais de um território anatômico, com frequência incluindo urologia, ginecologia e reconstrução vascular.

Há ainda a questão dos linfonodos da pelve lateral, fora do envelope mesorretal. O ensaio japonês JCOG0212, com 701 pacientes, não confirmou a não inferioridade da excisão mesorretal isolada em relação à excisão associada à linfadenectomia pélvica lateral, e a recidiva local foi menor no grupo que recebeu a linfadenectomia, 7,4% contra 12,6%.[2] É um procedimento pouco realizado fora do Japão e que exige indicação criteriosa.

Realizo a linfadenectomia pélvica lateral estendida quando o caso a exige. A indicação é individualizada e se apoia em critérios técnicos, a partir da ressonância de pelve e do achado operatório, e não em uma regra automática por estádio.

3. Metástase hepática

O fígado é o sítio mais comum de disseminação do câncer colorretal, e a presença de metástase hepática não é sinônimo de doença incurável. Quando as lesões podem ser removidas por completo, preservando fígado funcionante suficiente, a ressecção hepática faz parte do tratamento com intenção curativa.

A pergunta que organiza a decisão não é se opera, é em que ordem. Existem três estratégias, e a escolha entre elas é o ponto em que a discussão multidisciplinar produz consequência real. Essa decisão está desenvolvida na seção seguinte. O tratamento cirúrgico do fígado está descrito em cirurgia hepática.

4. Doença peritoneal

Parte dos tumores colorretais se dissemina pela superfície do peritônio, e não por via sanguínea. É a apresentação de tratamento mais controverso, e a que exige mais honestidade.

O ensaio PRODIGE 7 comparou cirurgia citorredutora com HIPEC de oxaliplatina contra cirurgia citorredutora isolada, em pacientes com metástases peritoneais de origem colorretal. Não houve diferença de sobrevida: mediana de 41,7 meses no grupo com HIPEC e 41,2 meses no grupo sem HIPEC, com mais eventos adversos graves aos sessenta dias no grupo que recebeu a perfusão, 26% contra 15%.[3]

A leitura que importa para quem lê isto com um laudo na mão não é que esses pacientes não devem ser operados. É o contrário: os dois braços do estudo alcançaram sobrevida mediana acima de quarenta meses, resultado muito superior ao que se esperava historicamente para carcinomatose de origem colorretal. O que o ensaio sustenta é que o valor está na citorredução completa realizada em serviço com volume, e não na perfusão aquecida acrescentada ao final.

O tema está desenvolvido, com as demais origens tumorais, na página sobre HIPEC. Participei da padronização brasileira desses critérios, em documento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica publicado em 2017,[4] e do levantamento da prática dos centros latino-americanos que realizam o procedimento, publicado em 2018.[5]

A decisão de ordem: fígado primeiro, intestino primeiro, ou os dois juntos

Quando a metástase hepática já existe no momento do diagnóstico, o que se chama de doença síncrona, existem três caminhos, e nenhum deles é universalmente superior.

Ressecção simultânea, com o tumor primário e as metástases hepáticas removidos na mesma operação. O ensaio randomizado francês que testou essa estratégia contra a ressecção em dois tempos não encontrou diferença nas complicações maiores em sessenta dias, 49% contra 46%. O achado mais relevante do estudo está no outro braço: entre os pacientes designados para a ressecção sequencial, oito não chegaram à etapa hepática, seis deles por progressão da doença no intervalo.[6]

Intestino primeiro, com a ressecção hepática programada depois, com tratamento sistêmico entre as duas. É a sequência tradicional, e continua adequada quando o tumor primário dá sintomas, quando a hepatectomia necessária é de grande porte, ou quando se quer observar o comportamento biológico da doença antes de uma operação hepática extensa.

Fígado primeiro, invertendo a ordem clássica. Na análise de 7.360 pacientes do registro LiverMetSurvey, essa estratégia não alterou a sobrevida em pacientes com metástase única ou com lesões múltiplas em um só lobo, mas foi fator prognóstico favorável independente nos pacientes com doença múltipla e bilobar, inclusive após pareamento por escore de propensão.[7]

Não trabalho com uma preferência fixa entre as três. Cada caso é diferente, e a sequência é decidida na discussão multidisciplinar, com o cenário completo à vista: a carga de doença no fígado, os sintomas do tumor primário, a extensão da hepatectomia necessária e a resposta ao tratamento já realizado. É uma decisão que precisa ser tomada por quem opera os dois territórios, porque envolve estimar, antes de começar, o que cada operação vai custar em fígado remanescente e em tempo de recuperação.

Como a cirurgia é feita

A maior parte das ressecções colorretais é realizada por via minimamente invasiva, laparoscópica ou robótica. A escolha entre as duas não é neutra no reto médio e baixo, onde o espaço de trabalho é estreito.

No ensaio randomizado REAL, com 1.171 pacientes analisados em onze hospitais, a via robótica produziu menos margem circunferencial comprometida, 4,0% contra 7,2%; menos complicações pós-operatórias de grau II ou maior em trinta dias, 16,2% contra 23,1%; mais peças com ressecção macroscopicamente completa; e menos amputações abdominoperineais, 16,9% contra 22,7%.[8] O desfecho principal do estudo, a recidiva locorregional em três anos, ainda não amadureceu, e por isso a formulação correta é que a via robótica mostrou melhor qualidade de ressecção no curto prazo, e não que produz mais cura. As abordagens minimamente invasivas estão descritas em cirurgia robótica e minimamente invasiva.

A questão da bolsa

É a maior preocupação de quem recebe o diagnóstico de câncer de reto, e merece resposta direta.

O estoma definitivo, necessário quando não é possível preservar o aparelho esfincteriano, é hoje exceção, reservada a tumores muito próximos do ânus ou a situações em que a preservação comprometeria o resultado oncológico. Na maior parte dos casos de câncer de reto é possível remover o tumor e reconstituir o trânsito intestinal.

O estoma temporário é outra coisa, e é mais frequente. É uma proteção usada por algumas semanas ou meses enquanto a anastomose cicatriza, e é revertido em um segundo procedimento de pequeno porte. É medida de segurança, não limitação permanente.

Há um ponto que costuma ser omitido, e que considero parte de uma conversa honesta: preservar o esfíncter não é o mesmo que preservar a função. Depois de uma ressecção do reto baixo, uma parcela dos pacientes convive com urgência, fracionamento das evacuações e alteração do controle, um quadro descrito como síndrome da ressecção anterior. É tratável e costuma melhorar ao longo do primeiro ano, e precisa ser dito antes da operação, não depois.

A mesma operação, em serviços diferentes

Uma colectomia direita é um procedimento bem definido, descrito da mesma forma em qualquer país. O que varia entre serviços não é a descrição da operação, é o contexto em que ela acontece.

A literatura sobre isso é consistente. Em estudo populacional de âmbito nacional com 61.728 pacientes operados por câncer colorretal, a mortalidade em cinco anos foi de 41,4% entre os pacientes operados pelos cirurgiões do quartil de menor volume e de 27,4% entre os do quartil de maior volume, e o volume do cirurgião permaneceu preditor independente de óbito após ajuste para características do paciente e do serviço.[9] Some-se a isso o achado do CR07 sobre o plano de dissecção, já citado, e o quadro fica claro: em câncer colorretal, a execução técnica pesa no resultado de longo prazo, e não apenas no pós-operatório imediato.

Na prática, essa diferença raramente aparece no caso que corre como o previsto. Ela aparece quando o caso deixa de ser o que parecia: implantes peritoneais encontrados no momento da cirurgia, uma lesão hepática que a tomografia não havia caracterizado, um tumor que se revela aderido à bexiga ou ao ureter, uma cadeia linfonodal comprometida fora do território habitual. Em cada uma dessas situações existem duas condutas possíveis: resolver no mesmo ato, ou interromper, fechar e reprogramar para outro serviço. Qual delas acontece depende do que a equipe presente na sala está habituada a fazer, e da estrutura disponível naquele hospital naquele dia.

Registro, para que o leitor forme o próprio juízo, o campo em que trabalho. A ressecção colorretal convive, na minha rotina, com citorredução peritoneal, ressecção hepática, ressecção multivisceral e os casos de trombo tumoral em veia cava. Uma colectomia está entre os procedimentos de menor porte que realizo. Isso é a descrição de um campo de atuação, e não uma afirmação de superioridade sobre qualquer colega ou serviço: a escolha de onde e com quem operar cabe ao paciente e ao seu médico assistente, e há excelentes resultados sendo obtidos em muitos serviços do país.

Quando a cirurgia não é o primeiro passo, e quando não é indicada

Esta seção existe porque a ausência dela seria desonesta.

Quando o reto está localmente avançado, operar primeiro costuma ser o erro. O tratamento neoadjuvante precede a cirurgia, e a decisão sobre qual esquema usar mudou nos últimos anos. No ensaio PROSPECT, com 1.128 pacientes que iniciaram tratamento, a quimioterapia com FOLFOX, com radioquimioterapia reservada aos casos de resposta insuficiente, foi não inferior à radioquimioterapia para todos: sobrevida livre de doença em cinco anos de 80,8% contra 78,6%, com sobrevida global semelhante.[10] Isso não elimina a radioterapia do arsenal; significa que uma parte dos pacientes pode evitá-la, e que essa escolha precisa ser feita caso a caso, com o oncologista clínico e o radio-oncologista.

Quando há resposta clínica completa ao tratamento neoadjuvante, operar pode deixar de ser necessário. A vigilância ativa, conhecida como watch and wait, é uma alternativa em pacientes selecionados. No registro internacional com 880 pacientes em resposta clínica completa, a incidência acumulada de recrescimento local em dois anos foi de 25,2%, com 88% dos recrescimentos diagnosticados nos primeiros dois anos e 97% localizados na parede intestinal, ao alcance de cirurgia de resgate. A sobrevida global em cinco anos foi de 85%.[11] Um em cada quatro pacientes volta a precisar da operação, e a estratégia só é segura dentro de um programa de vigilância rigorosa. No ensaio OPRA, a preservação do órgão em cinco anos ficou em 54% no braço que recebeu quimioterapia de consolidação após a radioquimioterapia, contra 39% no braço de indução, sem diferença de sobrevida livre de doença.[12]

Quando a citorredução completa não é alcançável na doença peritoneal. Doença que envolve extensamente o intestino delgado e o seu mesentério é a situação mais frequente em que operar acrescenta risco sem acrescentar benefício.

Quando a doença progride durante o tratamento sistêmico. A resposta ao tratamento funciona como um teste da biologia do tumor. Progressão franca sob tratamento adequado raramente é revertida por cirurgia.

Quando as condições clínicas não sustentam o procedimento. Reserva cardiopulmonar, função renal, estado nutricional e desempenho funcional pesam tanto quanto a extensão anatômica, sobretudo nas ressecções multiviscerais e nas hepatectomias maiores.

Como uma avaliação é feita

A avaliação começa por documentos, não por consulta. O que permite uma primeira leitura útil:

  • Colonoscopia com laudo e o resultado da biópsia, com imuno-histoquímica quando houver
  • Tomografia de tórax, abdome e pelve, e ressonância de pelve nos tumores de reto
  • Ressonância de abdome com contraste hepatoespecífico quando houver lesão no fígado
  • Descrição de cirurgias anteriores, incluindo o achado operatório
  • Relatório do oncologista clínico com os esquemas realizados e a resposta obtida
  • Marcadores tumorais e exames laboratoriais recentes

Quando o material é suficiente, o caso é discutido em reunião multidisciplinar antes de qualquer proposta. O resultado dessa discussão é uma entre três respostas: existe indicação cirúrgica, e ela é apresentada com seus riscos; não existe indicação, e o motivo é explicado; ou falta informação, e o que falta é dito com precisão.

Para quem mora fora de Curitiba ou de São Paulo, a avaliação inicial pode ser feita por teleconsulta, depois do envio dos exames. O deslocamento, quando necessário, passa a ser para a consulta presencial de programação cirúrgica, e não para descobrir se existe indicação. Os canais estão em Contato.

Perguntas frequentes

Câncer de intestino é o mesmo que câncer colorretal?

Sim, quando se fala do intestino grosso. Cólon e reto formam o intestino grosso, e os tumores dos dois são tratados sob o mesmo nome, com condutas cirúrgicas diferentes.

Vou precisar de quimioterapia depois da cirurgia?

Depende do estádio final, definido pelo exame da peça retirada, e é uma decisão do oncologista clínico. Parte dos pacientes com doença restrita à parede e sem linfonodos comprometidos não precisa de tratamento complementar.

Ter metástase no fígado significa que não há mais cura?

Não. Quando as metástases podem ser completamente removidas com fígado remanescente suficiente, a ressecção faz parte de um tratamento com intenção curativa. O que determina isso é o número, a localização e o comportamento das lesões, não a simples presença delas.

A cirurgia robótica é melhor?

No reto médio e baixo, os dados de curto prazo do ensaio REAL favorecem a via robótica em qualidade de ressecção e em recuperação.[8] No cólon, a diferença entre as vias minimamente invasivas é menos marcada. A via é uma ferramenta, e a escolha depende do tumor, do paciente e da experiência da equipe com aquela plataforma. A plataforma robótica está disponível nos três hospitais em que opero, de modo que a decisão é técnica, e não uma questão de acesso ao equipamento.

Quanto tempo dura a internação?

Varia bastante com o porte da operação. Há internações muito breves, de dois a três dias, em ressecções minimamente invasivas que evoluem sem intercorrência, e há internações prolongadas, acima de dez dias, nas ressecções de maior porte e nas combinadas. A previsão individual é dada antes da cirurgia, com o planejamento já definido.

Onde o senhor opera esses casos?

Em Curitiba, no Hospital São Marcelino Champagnat. Em São Paulo, no Hospital São Luiz Itaim e no Hospital Vila Nova Star. A cirurgia colorretal é realizada nas duas praças, e a plataforma robótica está disponível nos três hospitais.

Nota para colegas: o que muda a avaliação, e como discutir um caso

Os elementos que mais mudam a conduta, na ordem em que costumam faltar no encaminhamento:

Ressonância de pelve com protocolo para reto, com descrição da relação do tumor com a fáscia mesorretal e com o aparelho esfincteriano. É o exame que separa o tumor que pode ir direto à cirurgia daquele que precisa de tratamento neoadjuvante.

Caracterização adequada das lesões hepáticas. Uma lesão indeterminada em tomografia muda a estratégia inteira se for metástase e não muda nada se for hemangioma. A ressonância com contraste hepatoespecífico resolve a maior parte dessas dúvidas antes de qualquer decisão.

Comportamento sob tratamento sistêmico, que funciona como filtro biológico e pesa mais do que a contagem de lesões.

Condição clínica e nutricional, que define a viabilidade das ressecções combinadas tanto quanto a anatomia.

Casos podem ser discutidos diretamente ou levados à reunião clínica semanal do grupo. Os canais estão em Para Médicos.

Esta página tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. Nenhuma conduta descrita aqui deve ser adotada sem avaliação individual.

Referências

  1. Quirke P, Steele R, Monson J, Grieve R, Khanna S, Couture J, et al. Effect of the plane of surgery achieved on local recurrence in patients with operable rectal cancer: a prospective study using data from the MRC CR07 and NCIC-CTG CO16 randomised clinical trial. Lancet. 2009;373(9666):821-828. doi:10.1016/S0140-6736(09)60485-2
  2. Fujita S, Mizusawa J, Kanemitsu Y, Ito M, Kinugasa Y, Komori K, et al. Mesorectal excision with or without lateral lymph node dissection for clinical stage II/III lower rectal cancer (JCOG0212): a multicenter, randomized controlled, noninferiority trial. Ann Surg. 2017;266(2):201-207. doi:10.1097/SLA.0000000000002212
  3. Quénet F, Elias D, Roca L, Goéré D, Ghouti L, Pocard M, et al. Cytoreductive surgery plus hyperthermic intraperitoneal chemotherapy versus cytoreductive surgery alone for colorectal peritoneal metastases (PRODIGE 7): a multicentre, randomised, open-label, phase 3 trial. Lancet Oncol. 2021;22(2):256-266. doi:10.1016/S1470-2045(20)30599-4
  4. Batista TP, Sarmento BJQ, Loureiro JF, Petruzziello A, Lopes A, Santos CC, et al. A proposal of Brazilian Society of Surgical Oncology (BSSO/SBCO) for standardizing cytoreductive surgery (CRS) plus hyperthermic intraperitoneal chemotherapy (HIPEC) procedures in Brazil. Rev Col Bras Cir. 2017;44(5):530-544. doi:10.1590/0100-69912017005016
  5. Quadros CA, Laporte GA, Huguenin JFL, Barreto EJSS, Barros AV, Oliveira AF, et al. Current practice of Latin American centers in the treatment of peritoneal diseases with cytoreductive surgery with HIPEC. Eur J Surg Oncol. 2018;44(11):1800-1804. doi:10.1016/j.ejso.2018.06.029
  6. Boudjema K, Locher C, Sabbagh C, Ortega-Deballon P, Heyd B, Bachellier P, et al. Simultaneous versus delayed resection for initially resectable synchronous colorectal cancer liver metastases: a prospective, open-label, randomized, controlled trial. Ann Surg. 2021;273(1):49-56. doi:10.1097/SLA.0000000000003848
  7. Giuliante F, Viganò L, De Rose AM, Mirza DF, Lapointe R, Kaiser G, et al. Liver-first approach for synchronous colorectal metastases: analysis of 7360 patients from the LiverMetSurvey registry. Ann Surg Oncol. 2021;28(13):8198-8208. doi:10.1245/s10434-021-10220-w
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  11. van der Valk MJM, Hilling DE, Bastiaannet E, Meershoek-Klein Kranenbarg E, Beets GL, Figueiredo NL, et al. Long-term outcomes of clinical complete responders after neoadjuvant treatment for rectal cancer in the International Watch & Wait Database (IWWD): an international multicentre registry study. Lancet. 2018;391(10139):2537-2545. doi:10.1016/S0140-6736(18)31078-X
  12. Verheij FS, Omer DM, Williams H, Lin ST, Qin LX, Buckley JT, et al. Long-term results of organ preservation in patients with rectal adenocarcinoma treated with total neoadjuvant therapy: the randomized phase II OPRA trial. J Clin Oncol. 2024;42(5):500-506. doi:10.1200/JCO.23.01208

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